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domingo, 23 de abril de 2017

Versos Secretos #2

Teus olhos
Não me abandonam
por mais que eu os enterre
com desculpas
culpas
e paralisias
paranóia
e até amor.
Tuas asas enxergo agora.
Queimando.
Sobre meu peito.
Te imagino
em e aos sussurros 
a me engolir.
Adorei o absurdo da tua boca
e do enrolar da tua língua.
Não foram segundos.
Foram garras, foram marcas.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Desejo Incompleto.

Le Rouge à Lévres
Jean Gabriel Domergue


A Água.
O Fogo.
E o dançar suave
daqueles que colecionam
 flores,
além do simples
desejo.
Tua saliva está já em
meu sangue de frio peixe...
Isso me devora!
És parte que preciso completar.

Desejo.
Horas, dias, oceanos...
Desejo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

#777

Doce é o destino.
O azul dos Oceanos.
Meus olhos.
Teus olhos.
Palavra.
Limite.
Desejo profundo.
Tu me atravessas.
Tu e só tu...
Doce é o álcool.
O Tártaro.
E teus cabelos.
E força.
Minhas ilusões.
Minhas mãos.
Tua boca.
E minha água.
Lacrimejante entre as pernas
Por tuas partes.
Em Tejo.
Doce é o sono.
Porquê ele pare o sonho.
Doce é tudo.
Menos paredes.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Tua pele é de pluma

Tu me ignoras,
me fazes presente os meus grilhões.
Me nega as Veredas que carrega nas mãos.
Aperta forte para detê-las
Não consigo fugir das tuas plumas.
Tão constantes, como as correntes que sustentam o horizonte
Os abismos
O "ismos" todos "desfigurantes".
Roubaram minhas Máscaras.
Exilaram-me na dor.
Solidão.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Incandeia

Me queimei longo.
Me queimei duro.
Me queimei Jongo.
Me queimei tudo.
Me despedi da esperança.
E fingi minha fuça.
E como criança esperei você chegar.
Me queimei longo amooor.
Daquelas dores de desesperar.
É o Samba.
Triste, como nunca houve um dia.
Feliz, como nunca pode enquanto ele eu temia.
Agora.
Quero.
Sem hipocrisia.
Rimar Amor.... Amor com Dor.
Sem Filosofia.
Quero fazer música.
Samba.
Poesia.
Quero rimaaar....
Amor com Dor.
Tá na cara!


E Clytemnestra segura o Oxê de Xangô em sua Justiça
Morra Agamenon, morra!
por John Collier

sábado, 26 de novembro de 2016

Césio 137

Caíram minhas pernas débeis.
E meu porto seguro.
E toda a ilusão se esparramou luminosa e mortal.
Césio 137 escorrendo pelas paredes.
A Casa, antes da Água, antes segura.
Me contaminou.
Não há chão para minha existência.
Apenas fina corda bamba.
Carnificinas, atrás de carnificinas.
E minha existência-areia se confundindo com o mundo.
Apocalipse total.
Morreu Fidel.
E isso também já não importa.
Estamos todos já em Ruínas.
Sob escombros.
Enterrados.
Porém vivos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

O Barranco do Barranco... P O E S I A!

Quantos Dogmas devo escolher?
Quantos Deuses querer?
Quanto de Vento, e Mato e Mato e Mato devo eu conter?
Esmurre cada lágrima que dei…
Esmurra, Reggae, Rasta, Caboclo…
Jogue no Fogo.
Esqueça.
Esqueça.
Esqueça, e pare de cantar a terra garrida e,
Minha música preferida.
Esqueça você primeiro…
De verdade.
Depois.
Eu também.
Mas enquanto isso guardo o teu cheiro nos meus poros.
Nas minhas glândulas, canais.
No meu absurdo de existir. 
Nos meus ais.
Pare música.
Geografia.
História.
Literatura e
o Barranco do Barranco
P O E S I A.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

La Culebra

De toda, tudo, todo.
Teu sorriso.
Descarado e malicioso.
Continua.
Me caçando de veneta llamando.
E tu diz sempre.... Foi você que começou.
Adoro todo drama.
e Cama.
Como sempre, e sempre.
Again and again.
Amém.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Perfeições...

Hão árvores tremendas entre nós.
Uma floresta inteira a percorrer, correr, recorrer.
Praticamente não temos sombras.
Sussurros.
Beijos na boca.
Ou na nuca.
Só o Uivo nos une.
Flamejantes e Descuidados.
Trepamos na Lua, com a Lua.
Fazer amor nunca!
Esse segundo Bezerra da Silva, não se fabrica.
Seremos cinzas no próximo século? 
Não?
Porque evitarmos só o Fogo então?
Queimem-se.
Queimem-se os vivos.
Só eles podem gritar de dor e alegria.
Queimem-se.


Ouvindo Ibrahim Ferrer… e calma como uma marola...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Do futuro seco e desgraçado...

O Sol já me governa.
E o Chão tão Vigoroso me aceita.
Respiro Ares, Ares frios.
E em pleno Meio-Dia a Brisa bate a amaciar meu Ódio.
Coisa incorrigível de família.
Amo o que é doce e belo.
E sinto olhos que sou incapaz de esquecer jamais.
Como tequila.
Mas sendo Ave de Rapina.
Sou as que seguem mais, as que querem demais.
Ver o mundo da Lua, do Atacama e do Japão?
Ver o mundo do alto que me fez balão!
Ver o mundo dos grandes olhos dos Pássaros Ancestrais.
Meus irmãos cegos.
Aves de Rapina e Onças Pintadas.

Aves de Rapina.

sábado, 17 de setembro de 2016

Para o lado de lá


Minerva e o Centauro - Sandro Botticelli


Digo ao Céu e todas as Estrelas, e todas as imensas Galáxias coloridas
Que não quero ser amada, mas mesmo assim espero.
Uma boca que me derreta em Lava.
E uma boca que me queira, eu sendo a Bruxa que sou.
A Lua desvairada, sempre Oeste.
Coruja viciada nas fumaças do Momento.
Eu só queria acabar com meus dias de frio e azedume
De guerras e pedradas.
De distâncias programadas.
Queria mesmo esquecer que sou tão Água.
Que te arrastei para outros Oceanos.
Para o lado de lá.
Digo ao Sol que me esqueça.
Sou espera Noturna.
Sou a virgula.
O não.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

#6


Ainda desejo o corpo calado.
Ao meu lado.
Raiaram Sóis e sois...não há.
Me feriu a  Adaga  Mestra.
Tirou de mim.
O vôo livre.
E Coruja Silênciosa.
 Velha
 me moldou.


Não sou alegre.
Não sou triste.
Sou refém.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ira

Quando ouço tua voz de Cão, 
ainda insisto.
Me dobro, desisto.
Você é aquilo que toda a razão diz não.
Você é : Resisto!
Boca, sorriso e voz a quem nunca vou dizer não.
O silêncio foi sua injustiça.
Sua boca minha forca.
Minha forca...

Mais

Mais uma vez mais agarras esses teus dedos verdes de olhos em mim.
Sim.
Olhos de madeira clara.
Corpo de deleite negro.
Arco, flecha, eu o alvo, tudo.
Saímos de nossos eixos.
E eu perdida no furacão, só pareço fútil.
Inútil.
Perdão por ignorar seu corpo.
Todos os caminhos...
Não foi também sua medida.
Não és rocha ou madeira.
Mas Fogo imenso.
Fogo Imenso.
E por isso teu cheiro verde
Mato Verde.
Insisto?
Não.

Mais

Mais uma vez mais agarras esses teus dedos verdes de olhos em mim.
Sim.
Olhos de madeira clara.
Corpo de deleite negro.
Arco, flecha, eu o alvo, tudo.
Saímos de nossos eixos.
E eu perdida no furacão, só pareço fútil.
Inútil.
Perdão por ignorar teu corpo.
Todos os caminhos...
Não foi também sua medida.
Não és rocha ou madeira.
Mas Fogo imenso.
Fogo Imenso.
E por isso teu cheiro verde
Mato Verde.
Insisto?
Não.

domingo, 4 de setembro de 2016

#5

A verdade de todo assunto é que o Carcará não quer conta com a Coruja.
Hoje ela chegou perto.
Mas é tudo ilusão.
Seus cabelos muitos ela só pode cheirar.
De longe, a miúdo.
E ele fugiu.

O que dela feito foi.
Ilusão.
Desilusão.
E um tapete de flores brancas.

Você Carcará?
É penumbra e vive sem par.
Você tem É medo de mim.
Esconda-se o quanto puder.
Quiser.
Você tem É medo de mim.

Esconda-se homem que voa.
Que coa o melhor de mim.
Esconda-se a Cuca vai te pegar.
Homem do Sertão? Não!
Disse ele a dez pontos negar.

Carcará.
Carcará.
Ouça-me.
Mesmo que do chão.
Sou loba, onça, pantera, monção. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

#4

Teus olhos tão vagos quanto o mar.
Apareceram no meio do meu caos do dia.
Uma solidão.
Tão castanhos quanto posso suportar.
Cabelos sempre desgrenhados.
Grudados na pele do teu pescoço.
Que me gusta tanto
E uma camisa verde, desavergonhada com cara de ayer.

Eu quero suas pupilas
E não adianta dizer não.
Quero suas mãos prudentes de quem morreu de amor um dia.
Descontraladas
Em mim.

Porquê tanto cuidado?
Tanto Chorare?
Tanta Não-Vida? 

A minha poesia é ruim
Esse é o porquê?

Equeça minhas palavras 
Escolha minhas mãos.
Não?

Repita mesmo quem é você?
Brade e grite de ira.
Com sua voz tão, mas tão Ave de Rapina.
Que eu, Coruja.
Sei no fundo que você sempre não

sábado, 27 de agosto de 2016

#3


Garden in Bloom - 1933
 Max Beckmann

Aves de Rapina que somos
Porque não voamos logo e longo?
Atravessando os 7 céus
Até estrelas siderais

Porque não nos desgarramos logo?
Desse chão quebrado de seca
Desse chão duro que não nos deixa enterrar os mortos

Voemos sobre as queimadas
Voemos sobre as cinzas
Voemos sobre os pobres oceanos moribundos
Voemos sobre a indelével miséria humana
Voemos sobre os cacos...

Flamejemos até a asfixia,
da Loucura
da Liberdade
da Paixão.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

#666

Meu amor por ti levantou-se com os Oceanos.
E nunca mais dormiu.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Coração Cego



Todos os dias ele palpita forte e trêmulo.
Manhã.
Inverno.
E me saber viva mais uma vez dói.
E dói no corpo inteiro.
Queria algo de veludo.
Algum escudo.
Uma coisa macia para mim.
Tantas pedras se acumularam em minhas mãos.
Tanta correntes em minhas pernas e braços.
Vago no desespero do escuro.
Na Mata Escura.
Vago somente com os relâmpagos dos fantasmas.
Tateio assim pesada os espinhos que me rodeiam.
Caminho e continuo pelo bicho que há em mim.
Cega, completamente cega.
Ele palpita forte a matar minha carne de predadora
É uma Rainha uma Leoa Cega?
Coração que grita a anunciar que a vontade já morreu.
Coração que cala e resigna.
Pedras e seca foram as heranças que sobraram.
Escombros.