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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Da Pele, Da Luz, Do Desejo.


Max Beckmann, Beach Landscape, 1904



Rememoro suas palavras.
Ouço viciada sua voz.
Procuro o Tempo e só hoje vejo que ele caminha a frente.
Muito, para quem é toda Água.
Não devo parar por teus Olhos de Além-Mar.
Descanso desajeitada de mim.
Como toda gente que sente um Calor Impossível no Peito.
Simplesmente Calo.
Melhor assim.
Mulher-Redemoinho.
Salobra.
Imprevisível.
Marinha.
Azul.
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terça-feira, 1 de março de 2016

Caos e Solidão!

Você fala de ontem do caos da vida
Você fala de antes do zero partida
Você fale de zêlo quando hei-lo perdido.
Você azul como um blues escondido

Você dá na minha boca
aquele gosto de ácido.
aquele medo de mel.

Você dá na minha boca
aquele gosto amargo
tão amarelo de fel...

Tu, eu, tudo junto...
Tudo igual
Normal

Eu. tu, um sem outro.
Sem encontro.
No breu.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estonteante fome, áspera e cruel

"Frémito do meu corpo a procurar-te, 
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas..."


Frémito do meu corpo, Florbela Espanca.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Odéssi!

Meu pai? Meu homem? Meu marido?
Odéssi, quem és tú capitan?
Quem se veste de folha e desconfiança?
Quem pergunta mil vezes o quê? 
Arô!
Odéssi, Odé, Odé!
Quem é meu álibi, meu melhor amigo, meu filho e irmão.
Odé paixão minha.
Que preenche meus dias de graça.
Arma sua flecha em mim.
Cabeça, corpo, saliva minha.
Esquece tudo. 
E vem com calma até meus braços.
Prometo não te afogar.
Promete Odéssi, não me errar?
Quero beleza e silêncio.
Quero sua natureza Orixá. 
Folha, Verde e Desconfiança.
Silêncio, verde, silêncio.
Verde.
Desejava palavras cheias de cores, completas.
Mas a beleza também aleija quem sempre verde espirrou...
Palavras completas...
Odé, Odé, Odé!


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Do dia que ganhei um presente.

Tudo ouvi, um pouco acredite, muito dancei. 
Nada mais, além de fogo, vermelho e palavras.
Salve o impensável e o mais bonito cavaleiro que divisei.
Salve esse dia claro! Galo canta, amanhã!
Mesmo que seus cabelos me comam ainda mais como comem seus olhos.
Há poesia... sem forma, carcaça ou figura...
Faz-me esquecer a mim mesma.
Tamanha doçura.
Giganta loucura.
Tudo quis, nada duvidei, muito me fudi...
Morram os marcadores.
Acorda-me meu bem.
Grite e urre e acabe.
Salve nossa paciência obliqua.
Não há porrete contra tamanha doçura.
Salve o vermelho, o fogo e as palavras...
E é claro... você também...

domingo, 13 de julho de 2014

Peace Frog

"There's blood in the streets, it's up to my ankles
She came
There's blood on the streets, it's up to my knee
She came
Blood on the streets in the town of Chicago
She came
Blood on the rise, it's following me
She came about the break of day
She came and then she drove away
Sunlight in her hair

She came
Blood in the streets runs a river of sadness
She came
Blood in the streets it's up to my thigh
She came
Yeah the river runs down the legs of the city
She came
The women are crying red rivers of weepin'

She came into town and then she drove away
Sunlight in her hair
Indians scattered on dawn's highway
Bleeding ghosts crowd
The young child's fragile eggshell mind

Blood in the streets in the town of New Haven
Blood stains the roofs and the palm trees of Venice
Blood in my love in the terrible summer
Bloody red sun of Phantastic L.A.
Blood screams the pain as they chop off her fingers
Blood will be born in the birth of a nation
Blood is the rose of mysterious union

There's blood in the streets, it's up to my ankles
Blood in the streets, it's up to my knee
Blood in the streets in the town of Chicago
Blood on the rise, it's following me"

segunda-feira, 5 de maio de 2014

E tus caricias hãn de ser mías de nadie mas

... quiero ser libre, vivir mi vida con quién yo quiera,
Dios dá-me fuerza, pois estoy moriendo por irla buscar....

sábado, 29 de março de 2014

Queria!

Queria ter todas as poesias do mundo para esfregar na tua cara.
Cara-de-pau. 
Com traço, com tudo...
Queria te machucar.
Queria bater até te deixar mudo.
Queria coisas horrorosas e incríveis com você.
Mas provavelmente você não terá "tempo" nem de saber...
Enfim, envio-lhe a postagem e você finge não ver.
Queria, não amar.
Nem ter um blog...
Para não passar o ridículo.
Queria... fazer o quê?
Desejo mais gostoso é o absurdo...
Queria você!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Fogo que purifica tudo!



Fogo, fogo!
Fogo que purifica tudo,
que lambe tudo.
Sobe pelas minhas pernas que antes eu achava tão mortas.
Queime, queime...
Labareda, quero me banhar...
Labareda sim.
Fogo, rogo-lhe que lamba minhas costas novamente. 
E me faça dormir com um sorriso.
Mãos que me derreteram.
Voltem.
Fogo divino que transforma tudo impetuoso.
Fogo, traga-me seus vapores.
Embala tua pitonisa...
E me queimando, faça-me novamente sonhar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Bogotá será um exílio para mim?

Não durmo sentindo Bogotá chamando por mim...
Algo verde, mata selvagem.
Algo fresco.
E silêncioso.
Vou comer porcarias,
Vagar pela cidade.
Beber e beber num chocante ato de niilismo.
Talvez até esquecer de tudo um pouco... Bogotá.
Gemendo cansada  no fundo da sala.
Procurando a boca.
Que me alimenta e mata.
Permaneço acordada em vão.
Gaivota perdoada.
Sempre apaixonada.
Bogotá será um exílio para mim?
Ou mais um destino de solidão.
Destino!
Algo mata, verde selvagem...
Algo água?

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Chavela Vargas cantando Facundo Cabral

Para lembrar de mim, adormecida.



"Me gusta el sol y la mujer cuando llora
las golondrinas y las malas señoras
abrir balcones y abrir las ventanas
y las muchachas en abril

Me gusta el vino tanto como las flores
y los amantes, pero no los señores
me encanta ser amigo de los ladrones
y las canciones en francés 

No soy de aquí, ni soy de allá
no tengo edad, ni porvenir
y ser feliz es mi color
de identidad

Me gusta estar tirado siempre en la arena
y en bicicleta perseguir a Manuela
y todo el tiempo para ver las estrellas
con la María en el trigal

No soy de aquí, ni soy de allá
no tengo edad, ni porvenir
y ser feliz es mi color
de identidad."

domingo, 14 de outubro de 2012

Que veio da Porta #1

Queria deixar nua tua imagem, mas é impossível de preservar...
Mesmo que única.
Mesmo que perfeita.
O líquen há de se instalar...
Primeiro em tua dobras, depois em tua mais fina tez.
Estátua que és.
Fica cinza e verde e sozinha no jardim francês
Des Tuileries.
Des Luxembourg.
Como eu fiquei.
A porra da vida garrida e fedida que me trouxeram.
És grama em contenção.
Quero morrer para viver se for preciso.
Gritar até!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

domingo, 7 de outubro de 2012

"Aí que saudades eu tenho da Bahia..."

Porque a Paixão não deve ser controlada.
Otto outra vez.
Marcando-me como gado.
Em todos os heterônimos.


Otto 
Janaína

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Poesia Negativa



Entre o Topkapi e o Museu Arqueológico

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ao cantar para o infinito # parte definitiva

Ao cantar para o infinito não queria ver muito dos teus sonhos verdes, mas eles são o meu tapete, o tempo todo, me agarrando pelos pés, ao meu redor, às vezes me compondo, como água do mar. Esse verde é de mata, é de morte, é de luxúria, esse verde é cabana sufocante sem endereço com chuva forte... Mas que posso mais fazer, o que me sobrou? Afinal? Além de correr, escorrer, escorregar por todo verde pesado que você me preparou. Absinto. Estou na cabana encharcada, não? Não há saída da veloz e bruta chuvarada. Absinto, da velha garrafa! Absinto porque não sou daquelas almas que negam por proteção, a vida tão ruim quanto quente que me deram... Absinto, meu amor! Absinto.

domingo, 19 de agosto de 2012

Chuva de Ouro

Falar por escopas???
E por barras..!

A poesia é como flor que explode.
Embota.
Embota a gente antes de sair correndo pela garganta.
Um instante.
Você perde.
Carece.
Por exemplo, Eu!
Eu quero entoar uma poesia...
à tua "multiplicância" tão propícia.
Tão pele e beleza.
Perfeição...

Espero sair rosa e não sopro de nada...
Susto, susto mesmo!

Que posso dizer, senão...
Te amo,
te amo, te amo!
 Danae,
Gustav Klimt, 1907

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

##21



Mares Proibidos.
Distâncias infindas...

Eu também sonhei que te via na janela, por todo o vidro...
Só que eu restava nua como sempre. Sem vergonha.
Sem teu vestido preferido, aquele azul que você deu.
Índia...
Teu barco bêbado cheio dos cheiros das mulheres, tantas elas.
Minha casa e peito ansiosos, sem sequer pesar quantos seios foram seus.
Era a boca tão oceânica quanto a minha, o homem com olhos que chegava...
Marrano meu!
Nunca soube que com minha magia, enquanto tua cara pintava,
amarrava tua alma à minha, nem que fosse os olhos teus.
Nem que por tantas vidas, o preço dessa magia, seja só desejar Marrano meu!
Tenho casa, tenho vidro, tenho madeira e fogo com o qual estou bem acostumada.
Índia... 
Mas quanto a você só posso gritar por teu regresso.
Quiçá um dia seguir tua embarcação.
Teu refúgio, outros Mares, é ladrão de nós...
Nós. 
Impossíveis e belos que somos.
Ladrão cruel, ladrão certeiro, ladrão insano!

sábado, 7 de julho de 2012

Estou tão sozinha agora # sempre1

Estou tão sozinha agora que não pude colocar uma escopa na frente de um número sem chorar... 
Sou, e sempre.
E, não adianta!
Sou, e sempre, e última! 
Falta pouco tempo, tão pouco tempo...
À Sereia que já bem sei... 
Úuuivo, filho cordeiro no Mar, Velho-Curvo.
Em Ar, em Gelo, mesmo dizer que sou...
Força, elemento.
Pó em Terra, fundo DNA de Ceres, não só Vulcão, não só Vesúvio... 
Sou é tudo!
Princípio, começo...
Sou eu Leão por fora, Cordeiro por dentro.
Sou Eu! 
Flôr de Sol, e de Lís, e de Azul Celeste.
Sou até Pérola, a Concha.
Hoje sou Lágrima.
Pura e simplesmente.
Lágrima, e sempre.
E, não adianta!
Sou, e sempre, sozinha...
Agora.