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sábado, 25 de fevereiro de 2017

A profecia 7.

Lua em Arembepe, sob a ótica dos mortais, 2015
Francine Ricco

Trouxe no olhar de lado, cismado,
uma Profecia.
O Gavião.
Estendeu-se o tapete.
Carmim.
Em mim.
Asas que me cobriam.
Não via.
Quando chegou o Carcará.
Apenas dançava no Tempo.
Para adormecer o Leão e Fogo.
Que foram trancados no meu peito.
Terremotos e Vulcões se entrelaçaram.
Tormentas.
Caçadores abatidos.
E Linha de Frente em Espadas,
"derrumbrada".
Naus, afinal, naufragadas e então,
encontrei outra vez tuas penas de Águia.
A não admitir minha Realeza.
Coruja que sou.
Predadora de Olhos de Imensos.
De Águas em Turbilhão.
Queria ser Frida Kahlo é bem verdade, mas?
Apenas tento e enfim.
O Leão e Fogo agora correm livres,
a lamber toda minha Carne.
É agora chegada.
Dos voos Noturnos.
Estrelas me preenchem.
Navego segura, mesmo na Escuridão.
Enfrento de perto os sinais de minha Insignificância.
E sorrio Altiva.
Da minha Sobrevivência.
E Hoje.
Coruja que sou.
Tanta e tantas vezes Sobrevivente.
Com os Dois olhos finalmente abertos, percebo.
Satisfeita.
Que A Profecia não aconteceu.
Mas eu Sim.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Poesia Inacabada

Volubillis - Marrocos

Sei.
Apenas sei.
Por aquilo que me come, reverbera.
Que minha voz grave, grave que sou...
Ecoa quente, ainda e agora, nos seus poros.
Que minha palavra luxuria, ousada que sou,
ainda te levanta os pelos.
Pelo, suor, saliva, uivo.
Sei.
Apenas sei.
Que mesmo sendo teu infinito cheio de concreto.
Estrada a fora.
O meu cheiro de água e jasmim ainda goteja em tuas narinas.
Sei.
Apenas sei.
Que preencho o volumoso quarto do teu passado.
Com indelicada dor.
Com vermelhos que não são meus.
Com palavras de metal...
Sei.
Apenas sei.
Que ainda que luxuria.
Esconde-te de mim.
Por tudo de vil.
Esquece-te de mim.
Mesmo não me devolvendo o mel.
Mesmo não me devolvendo o brio.
A Paz.
És armadilha da armadilha.
Cruel.
Poesia Inacabada.
Beleza sem ponto final.
Saudade que não aconteceu.
Amor que nunca foi meu.



segunda-feira, 30 de maio de 2016

La Sangre

O coração que me acorda em chamas...
E salta, assim pela boca.
Você, dizendo que não vem...
As minhas Veias abertas, em forma de Poeira e Sujeira.
Na Alcoba Azul, donde nunca fuímos contentos.
Onde nunca mais seremos...
O Sangue do dedo cortado por latas de comida para Cachorros.
Eu matando meus Filhos...
Mudos e perenes como a maioria de nossos dias juntos.
Sobrando somente o granir, o latido.
Sobrando somente eu e meus olhos de Coruja desdichada.
Nos EX-combros.
Nas Veredas.
Na Boca do Gigantesco Vulcão.
Acordando, caminhando e cantando.
Em chamas.
Na lama.
E com Anjos na cabeça dançando tentando explodir minha vida ordinária...

quinta-feira, 17 de março de 2016

Teus sapatos de Gueixa

Macia pele da serpente
Suas escamas ainda estão na minha boca
E na minha doente mente.

Tua Grega-Razão.
Teu perfume ocre.
Teu jeito de andar.

Ontem...
Sim ontem.
Parece que foi ontem de tanta dor que sinto.
Acordei de um pesadelo.

Lembrei logo de seus sapatos de gueixa.
Da obra de arte que é tua existência.

Lembrei dos teus olhos de coruja, 
Cria de Athena que és.

Lembrei da tua voz me pedindo para ficar.

Tudo, tudo.
Tudo tão ontem.

Que coma foi esse que me manteve presa assim à escuridão?
Que vento foi esse que passou?

Não importa.
Teus olhos cintilam em minha memória novamente.
E tua sabedoria...
Reverbera.

domingo, 13 de julho de 2014

Peace Frog

"There's blood in the streets, it's up to my ankles
She came
There's blood on the streets, it's up to my knee
She came
Blood on the streets in the town of Chicago
She came
Blood on the rise, it's following me
She came about the break of day
She came and then she drove away
Sunlight in her hair

She came
Blood in the streets runs a river of sadness
She came
Blood in the streets it's up to my thigh
She came
Yeah the river runs down the legs of the city
She came
The women are crying red rivers of weepin'

She came into town and then she drove away
Sunlight in her hair
Indians scattered on dawn's highway
Bleeding ghosts crowd
The young child's fragile eggshell mind

Blood in the streets in the town of New Haven
Blood stains the roofs and the palm trees of Venice
Blood in my love in the terrible summer
Bloody red sun of Phantastic L.A.
Blood screams the pain as they chop off her fingers
Blood will be born in the birth of a nation
Blood is the rose of mysterious union

There's blood in the streets, it's up to my ankles
Blood in the streets, it's up to my knee
Blood in the streets in the town of Chicago
Blood on the rise, it's following me"

sábado, 1 de setembro de 2012

Não o Breu não passa!

Ele voltou com as Velas...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O desespero nunca é bonito.

E isso me dói mais do que falar.
Porque ele é tanto.
Porque ele é muito.


Porque ele come de verdade....a beirada das criancinhas...


O desespero antecede para a maioria da Carne-homem,
a fome!


A fome!


Hoje eu me vi num espelho que só o trânsito lento pode dar.
Trazia passado de sonho...no seu olho azul de água fugaz.


Menina perdida, porém resignada, sorriu com o meu trocado.

Tenho medo afinal...

Que ela acabe eu!

domingo, 24 de outubro de 2010

Bijoux

Simplesmente cansei de envelhecer...
Que se foooda o Tempo!

Que farão os Deuses agora?


Com uma louca imortal...
Hahaha!!!


Sopinha ou Bijoux?

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Céu não tem nome.

Libertem as asas do céu,
já não é dia!
O pássaro pia.
                 Pia.
Ninguém quer mais aquele egoísta.

Libertem as asas do céu!
E da coruja também.

É noite e todos querem errar,
escorregar no tempo a troco de uma ressaca,

Vagar entre os lábios...

Vermelho-sangue.

Da tão sozinha,
então mulher mais bonita.

Pia, pia, o pássaro branco
e fecha o cortejo do desejo.

Louco, único, mas sempre.
Toda noite depois do dia.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sob Custódia

Mulher-Sol
Edward Hopper


Tenho seus olhos negros em mim,
na minha cabeça,
dentro de mim.



Tenho seus olhos negros que não são tão negros,
estão mais para castanho... em mim.
dentro de mim.
Comendo a mim.



Tenho visões estúpidas amorosas demais,
demais.

Doces enfeitam o meu futuro (aquele que desejo)
Doces, na verdade. de azedume certo.

Tenho dores por todo o corpo
e eu não quero teus falsos olhos em nada.
Em nada, nada mesmo.

Os olhos de lobo devem ser sacrificados.
Pudera!

Eu não os quero em mim!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Rebelião


Apolo y Marsyas
José de Ribera

Quando o deus veio me visitar hoje, na minha cova fria e úmida, fiquei de pé. Não deixei que me tomasse a cabeça, agarrei-me a Gaia mãe levantando-me e soprei a terra seca na névoa-luz que me envolvia. Ele tomou forma. Uma forma dourada como lhe convinha. Chamei-lhe pelo mais antigo nome que conheço, conjurando e assim lhe disse:


Chega de luz, de Sol, de rédeas áureas!
Chega de Apolo perfeito e reluzente, eu quero é Dioniso.
Escuridão.
Chega da solidão virginal do abismo...
Eu quero é Dioniso de frondosa mata.
Mistério, voluptuosidade e caos.
Chega de sacrifícios, prostração e devoção ao senhor.
Vaidoso deus.
Chega de tanto Apolo em mim.
Que te contentes em dominar minha forma.
Assim o quero!
Quero teu braço de deus a me fazer bela.
Mas não mereço ser escrava tua, toda tua...
Quero Dioniso!
Quero me entregar ao vago, impreciso e nebuloso.
Quero sentir todo o meu imenso poder, deitando com Dioniso.
É a mim que Dioniso invoca.
Chega de Apolo, chega!
Quero ser deusa também.
Chega Lobo de Sol!
Sou mortal é verdade, mas livre.
Vou ter com Dioniso de amplos e distraídos braços.
Vou viver sem nome.
Vá-te, deus Sol de louros e perfeitos cachos.
Vá-te, que hoje mesmo dormirei no Olimpo.
Não sou Eritréia!
Não quero seus anos.
Não sou Cassandra
Nasci já com olhos de fogo.
Sou mortal.
E agora eu quero é Dioniso.
Apolo então se foi. Até quando?