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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

É coisa!

É coisa bonita o amor?
Não.
É coisa indomável.
De claridade doí-da.
Inquietação.
Horas pensando em suas mãos.
É coisa bonita o amor?
Não.
É caos, lava e infinito.
De claridade suprema.
Reinação.
É coisa bonita sim o amor.
Horas e horas pensando no começo.
Reconheço.
Piscar de olhos nos arrombos, assombros do universo.
Acabou.
Como sorvete em chapa quente.
Sem para sempre.
Amém.
Ou qualquer mudança de situação.
15 anos apagados.
Mergulhados em água-sanitária.
Como esmaecer cidades, fortalezas inteiras?
Sobrevivendo a terremotos cantando.
Lava e infinito.
É coisa!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Poesia Confessional

Esmagada novamente me desperto.

Tropega.

Desorientada de mim e sozinha fazem séculos,
No susto e com o respiro me levanto.
Procuro as chaves. 
Saio ainda bêbada pela Rua da Feira.
Pensando que não tenho pra quem ligar.
Nem tenho celular.
E depois de tudo.
Depois de tantos e tantas.
Porquê ficar?
"Você pode ir ao inferno minha filha, mas seu Santo tá aqui!"
Não achei as compras de ontem.
Os cachorros já não comem como antes.
Porquê ficar?
"Veja bem, quando ele está, não fica bem você beber na rua. Parece que você está atrás dele. Pra uma mulher não pega bem."
Não há Moto-táxi em frente à Faculdade.
Deve ser cedo pela neblina.
O cheiro da cidade é sem igual.
Porquê ficar?
"Não acredito que ele deixou você!"
Moro longe, tenho fome.
Tive pesadelos com os olhos de Odé. 
Porquê ficar?
"Ele te comeu para destilar uma mágoa"

Acho um carreto que me cobra 30 reais, sendo que sei que custa vintão.
Tenho que levar o pássaro azul...
Não tem jeito.
Porquê ficar?
"O preço da gasolina tá caro dona" (principalmente para as que tem cara de polonesa)
Agora sim, sei que é luta ser negro.
Agora sim sei que nunca fomos um país inteiro.
É cedo, é cedo!
Pessoas com roupa de ginástica a caminhar.
Sol e sorrisos.
Tudo que eu sinceramente acho sinistro.
Porquê ficar?
"Aquela Francine é mesmo barril, tinham três garrafas de champanhe lá..."
E não reverbero mais nada do que meu Axé...
Penso no caos da casa.
Sinto amor por meus cachorros e meu cavalo.
Rita e Raul também.
Chego com a grama molhada.
O céu, o sol, a sifonia mais perfeita a tocar.
Pássaros, pássaros, pássaros.
Sinto falta de Antônio, meu amoroso pai.
Ele lá na desgraça de São Paulo.
Choro por não conseguir imaginar que ele pode nunca mais me enxergar.
Choro por Alegria jogado na poeira e por Zoreia, morrendo na rua.
Não há compaixão em nenhuma esquina.
Somente os Orixás Mensageiros fartos e sorridentes de tanto comer do "querer" de muitos.
Porquê ficar?
Tomo o Rivotril que me deram...
Aquele de antes.
Porquê ficar?
Só existe o fascinante canibalismo da matéria.
O futuro é apenas a possibilidade.
A Existência pertence ao presente.
Porquê ficar?
Tenho de tudo, menos o Medo.
Não sou Muralha, sou um Oceano.
Adaptação.
Ora líquida, ora sólida, ora ar.
Levantar e Ser todos os dias.
Isso me faz ficar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

És de invitável beleza

Como um pingo de sol, brilha e queima.
Ilumina.
Enlouquecidamente transforma.
E aquece.
Sua presença na sala...
Bom e vivo filho de Apolo,
enlouquece.
Pan,
desgarrado pedaço de céu.
De carne.
Bem sabem Bernini e Canova.
Quanto da tua pele pode envenenar.
Crescer, crescer, e trair.
Bem sabem aqueles que...
Não resistem a desgarrados pedaços de céu.
Filhos de Apolo.
Reis...


domingo, 13 de julho de 2014

Peace Frog

"There's blood in the streets, it's up to my ankles
She came
There's blood on the streets, it's up to my knee
She came
Blood on the streets in the town of Chicago
She came
Blood on the rise, it's following me
She came about the break of day
She came and then she drove away
Sunlight in her hair

She came
Blood in the streets runs a river of sadness
She came
Blood in the streets it's up to my thigh
She came
Yeah the river runs down the legs of the city
She came
The women are crying red rivers of weepin'

She came into town and then she drove away
Sunlight in her hair
Indians scattered on dawn's highway
Bleeding ghosts crowd
The young child's fragile eggshell mind

Blood in the streets in the town of New Haven
Blood stains the roofs and the palm trees of Venice
Blood in my love in the terrible summer
Bloody red sun of Phantastic L.A.
Blood screams the pain as they chop off her fingers
Blood will be born in the birth of a nation
Blood is the rose of mysterious union

There's blood in the streets, it's up to my ankles
Blood in the streets, it's up to my knee
Blood in the streets in the town of Chicago
Blood on the rise, it's following me"