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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A pele que habito

Franz Von Stuck
Hölle

Há novos ratos no porão.
Sujo e escuro.
Insano e infinito.
Dos meus intestinos.
Meu estômago grita muito mais alto...
Que minha boca sem vergonha.
Ratos roem Roma, romeiros, romãs e romances inteiros.
Ratos obtusos.
Ratos no porão escuro.
Da minha doente mente.
Agora tenho medo do orvalho.
Agora tenho dentes no meu pescoço.
Ratos nos meus pés.
E culpa sufocante.
Na minha pele.
Como diria Almodóvar...
A pele que habito.
Caro é o brilho do sol.
Apolo...
E no fim... ratos roem tudo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Finalmente não ser.

Hunt for the wild
Franz Von Stuck

Para enfim voltar a ser eu mesma, preciso dormir a metade que durmo e beber o dobro que bebo.
Você diz então:  -Meu amor, no mínimo!
E meu pai diria : É tão feio mulher bebendo...
O que posso fazer se a cada passo mais me sinto,
um leão, uma besta-fera, um vírus estranho a tudo, um não-rótulo...
Lá dentro?
Algo que necessita urgente de certa diluição...
Isso mesmo!
Um furacão, uma tempestade vermelha em Marte, tão assustadora como uma carpideira.
Nas areias alienígenas, rege o eterno uivo post mortem.
Isso mesmo!
Álcool e pouco sono.
Álcool e solidão com tv-ecologia vomitando o inevitável.
Tragédias que veremos nascer.
Nem mulher, nem homem, nem explicação...
Somente elemento, meus belos fascistas...
Somente elemento.

(e longas rimas pobres-sinceras, arraigadas de dislexia).

 

 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

É pura lógica

Pigmaleão - Franz Von Stuck
Quebrou-se um aquário.

Galatéia me puxa os braços, rouba os meus olhos e grita completamente animada:
-Eu não quero mais amar!

Ora Galatéia, Galatéia...

É cedo.
Também detesto arrancar flores do campo perfeitamente amarelo.
Mesmo assim o faço.

É real que as necessito...não posso deixar de devorá-las de vez em quando.
Nem você.


Galatéia, acorda e corre.

Corre.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um mês.

É dos olhos que mais me lembro...
do brilho lacrimoso
do último "- eu te amo!"
do "- eu já volto" que eu sempre lhe prometia.

Já volto não cumprido.
Saudade.
Confusão.

É das mãos que mais me lembro...
da perfeita simetria
do último beijo
do "-eu posso?" que eu fazia questão.

É da sensatez que mais me lembro...
da altivez de Colosso,

da certeza de batalhas
enfrentadas até o fim.

É do amigo incrível, único, afinal que mais me lembro!!!

Não há adeus João.

Amo sempre para sempre.

O negro aviso acabou... um mês passou.

(Anjo)

sábado, 11 de julho de 2009

Judith!

Judith e Holofernes
Franz Von Stuck


eu só queria ELA aqui,


- presente nessa toda

esquizofrenia -


-É momento da caÇA-


-neste exato, regada à choppin e sua noturna,

conhecida trIsteza-



forTe... com sua ausência de perfume...

e cheiro de carne,

branca insana.



Sibila sedutora,

vingativa sede de...

de...

JU...

sábado, 30 de maio de 2009

Tango

Amazona Ferida
Franz Von Stuck


O piano que chora em Paris-Texas, tango novo, Gotan Project

me lembra você...

Mon Die na voz de Edith Piaf

me lembra você...

As horas passam...

Você, você, você!!!!

Na minha cabeça sempre o sussurro...

Você!

És representação animada da robusta senhora Insanidade...

que me cavalga!

Triunfante.

Loucamente.

Carne e osso de um delírio.

Nuvem.

Névoa.

Poeira, ilusão.

Não existes!

Não existes!

Aquele que desejo...

Aquele que necessito...

Aquele que me ama, não existe!

Poeira.

Nuvem.

Névoa, ilusão.

Você, você, você!!!!

Me reconhecerá um dia?

Serei um dia por ti... arrebatada?

Um outro tango no ar...

Quando não se faz poesia

É preciso dormir!

Quando tu te ausentas...

É preciso dormir!

Vinicius me embala:

Pergunte pro seu Orixá o amor só é

bom se doer

Vai, vai, vai, vai


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sono e Vigília

Batsheba, 1912
Franz Von Stuck


"O fogo da tempestade

invade minha cama

enquanto sonho

me faz suar de medo

Quanto medo

e mar.

E desejo!

Para uma noite que é mesma.

Para dita noite... há tanto vazia.

Seria teu meu suor? Ou da palavra vadia?

Seria tua essa pulsão que me percorre tudo?

Que me suspende.

Que me ressucita antes que os escombros existam?

Que me provoca, sem vergonha, de dentro da jaula?

Não! Não!

É dela, a vadia!

Palavra vício!

Daquela puta também minha