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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Derivando à deriva, parte 1.

Não podes me cutucar sequer uma cutícula...
Não és sequer mais que algo branco e pálido.
Tecido morto, nada mais.

Tantas palavras inutéis e impensadas.
Tanta ofensa de minha parte.

Sou papoula e tudo, como as idéias que me povoam.
Corroem.
Carne e pólvora de festa.

Sou um micróbio excitado com tanta novidade.
Alegre, curioso.

Deixem-me vagar por suas bibliotecas.
Púrpura e tecido morto.Com cheiro de lavanda, nada mais.

Papôulas são para reis ou sacerdotes e eu...
Eu...
Sou apenas carne-papôula e púrpura-sede.
Sem grandezas de mil homens.

Deixe-me vagar pela Terra
Doce homem comum. 
E pelo corpo da Terra e por tudo.


Sou pássaro ancestral!
Livre.

domingo, 24 de outubro de 2010

Bijoux

Simplesmente cansei de envelhecer...
Que se foooda o Tempo!

Que farão os Deuses agora?


Com uma louca imortal...
Hahaha!!!


Sopinha ou Bijoux?

sábado, 24 de abril de 2010

Mel

A mesmice da melancolia me enfadonha, por favor matem-me de paixão lancinante, espessa, líquida e vermelha. Quente!

Desespero que amarela a pele.
Sem boca para poesia.

- Sim, eu também faço com a boca.

Também!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Beijos




Finalmente sonhei que beijava teus pés.
E enfiava a língua direto no céu da tua boca...
Te mordia nos suspiros, nos gemidos e grunidos
que vinham do fundo de mim.

Nossos olhos bêbados se entrecortaram,
faíscas doces me revelaram o caso:

-deixei correr a angustia quente que me segurava sã,
olhei mais uma vez para todo aquele improvável...- 

Abri meu corpo para o búfalo mudo.
Não o outro, céu feroz... Urano.
Não senhores!
Zeus puro!

Minhas pernas sumiram num arranque mágico...
- Huummmmmmm!!!!!


Acordei!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vaidade #1


Detalhe do Perseu e Medusa de Cellini, Praça da Senhoria, Florença

A Derrota Suprema da Vaidade devem ter pensado os Medicis, Cellini trouxe à luz um Perseu implacável !

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Depressão


Nonchaloir - 1911
John Singer Sargent


Eu queria deixar de ser esse papel em branco,
deixar de ser essa depressão...
essa falta de vontade de tudo e esse choramingo ridículo!


Eu queria deixar de ser eu mesma um pouco,

deixar essa roupa de lado e vibrar entorpecida como a maioria em um jogo de futebol.

Eu queria não querer ser eterna e ser assassinada logo...
Ser simples e chula (não a dança, o feminino de chulo mesmo!).
Zumbi como o resto dos serenos "comedores de pizza" que vejo da minha janela.

Eu queria pelo menos pintar os "comedores de pizza".

Eu queria não precisar daqueles "estímulos" pra suportar a dor,
mas hoje em casa sozinha ficou claro para mim, eu preciso!


Eu queria ser modesta e nunca mais cobrir as unhas de vermelho.

Eu queria ter a coragem de ter um filho e não ser mais unicelular.


Eu queria não gostar tanto de rum, porque afinal não nasci pirata,
mas estou presa em casa, com um cálice de bebida doce, por ser "apaixonada" em demasia.


Todo mundo quer ser igual.


Mas eu, eu quero ser no mínimo Van Gogh.


Van Gogh sem cortar uma orelha, é claro!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ele parece fraco...

Davi e Golias
Edgard Degas

depois forte, e novamente fraco.
ele é mais humano...
terrivelmente cruel portanto.
apaixonante.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não tenho nada!

Sol no quarto vazio
Edward Hopper


Eu não tenho nada se não tenho aquilo que queres.
Infeliz.Eu não tenho nada!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Poesia em fundo negro, 2009

Homens de Pura Pedra,
via escura,
pedra escura,
massa, forma, resitência
"pedregúlea".
Homens de Pedra Pura...
à, à....... toda resitência
"titânia" de pedra pura mesmo!

Sem choro.
O choro vai atrás do homem é claro!
Amanhã.
Amanhã com certeza.

Homens de Pedra.
Não olham pro chão...
sua natureza de "pescoços-finus"
não lhes permite.
Homens de Pedra Pura Retilínea!

Voraz espécie de monstro.
Monstro Homem Perfeição.

domingo, 26 de julho de 2009

Eu quero um blog bipolar!

Tripolar.
Quadri
polar.
Enfim...
N-polar.

Mas o negócio tá bravo...
Tá difícil rir e quebar tudo! Esquecer e até cagar pros outros tá difícil.

Tudo é urgente e doi!

O negócio tá bravo!

O fato é que na bagunça, perdi meu charme!

Nem vejo mais Dioníso.
Vênus, aquela vadia... passa longe!
Enquanto o velho Saturno lambe meus dedos dos pés, hambriento, desejoso.

Oh! Fortuna! (Oh! Que Porra!)

Apolo me cega, carniceeiiiro, vingaatiiiivo...
me faz olhar direto pra ele...

Detendo-me.
Grilhões de realidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Abismo.


Como sobreviver à massa cinza que o envolve?
Apoderando-se de todos nós.

Como sobreviver à massa “acastanhada” que o come?
Come o ancião tão trinta e cinco ainda.

Como sobreviver à massa cinza que engole o tempo?
Cronos cruel, ensandecido e muito, muito mais faminto.

Como sobreviver à massa buraco-negro do próprio universo?
Constelações se apagando.
Escuridão.

Como sobreviver quando se ama?

Como poetar?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Gente Rótulo

Hoje eu tô é passando mal!
De vontade!

Da minha dita "loucura"!
De vontade de mim!

Mim, mim, mim!!!!

-Mais whisky por favor...
- Você sabe o que tá bebendo? Qual porra de whisky que é?
- Tem saber é? A única coisa que sei é que na pior das situações pediria um Cutty Sark, você não acha?
- Você é uma bêbada até que modesta, sabe quanto custa?
- Nunca.
-Ah, tá...
-Gente como você aborrece sabia?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Júpiter

Eu exijo boca pequena.

Enquanto mergulho.

Ar.


Como não gosto de peixe-frito

Só peixe vivo...


fico só com o rio de Heráclito

que passa!


Eu exijo aquilo de arisco.

que me arrepie

que me insulte

me coloque em luta

me faça fogo

labareda atormentada...

desejo.


Tudo flui, eu sei.

Mas eu exijo que você não se mexa.


Eu exijo escultura.


Escorrega em mim

se for preciso, por favor... eu quero.

Flutua!



sexta-feira, 29 de maio de 2009

Rebelião


Apolo y Marsyas
José de Ribera

Quando o deus veio me visitar hoje, na minha cova fria e úmida, fiquei de pé. Não deixei que me tomasse a cabeça, agarrei-me a Gaia mãe levantando-me e soprei a terra seca na névoa-luz que me envolvia. Ele tomou forma. Uma forma dourada como lhe convinha. Chamei-lhe pelo mais antigo nome que conheço, conjurando e assim lhe disse:


Chega de luz, de Sol, de rédeas áureas!
Chega de Apolo perfeito e reluzente, eu quero é Dioniso.
Escuridão.
Chega da solidão virginal do abismo...
Eu quero é Dioniso de frondosa mata.
Mistério, voluptuosidade e caos.
Chega de sacrifícios, prostração e devoção ao senhor.
Vaidoso deus.
Chega de tanto Apolo em mim.
Que te contentes em dominar minha forma.
Assim o quero!
Quero teu braço de deus a me fazer bela.
Mas não mereço ser escrava tua, toda tua...
Quero Dioniso!
Quero me entregar ao vago, impreciso e nebuloso.
Quero sentir todo o meu imenso poder, deitando com Dioniso.
É a mim que Dioniso invoca.
Chega de Apolo, chega!
Quero ser deusa também.
Chega Lobo de Sol!
Sou mortal é verdade, mas livre.
Vou ter com Dioniso de amplos e distraídos braços.
Vou viver sem nome.
Vá-te, deus Sol de louros e perfeitos cachos.
Vá-te, que hoje mesmo dormirei no Olimpo.
Não sou Eritréia!
Não quero seus anos.
Não sou Cassandra
Nasci já com olhos de fogo.
Sou mortal.
E agora eu quero é Dioniso.
Apolo então se foi. Até quando?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Indomada Heroína


“Meu prazer era intocável e aterrador. Inflava dentro de mim ao caminhar pelas ruas. Ele transpira, ele fulgura. Não consigo escondê-lo. Sou mulher. Um homem me dominou. Ah, que prazer quando uma mulher encontra um homem a quem consegue se sujeitar, o prazer de sua feminilidade expandido em braços fortes."



Anaïs Nin.
Diários de 1931-1932

Teria Judith sido por sua presa, ainda que por um segundo, dominada?

Teria Gustav Klimt assim considerado quando Judith nele encarnou? Ou teria ele somente imaginado e amado, o poder da rainha sentir prazer de caçador?