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domingo, 27 de março de 2016

Só ontem...

Ontem li uma poesia na noite estrelada.
Estalada.
Ligeira.
Orei pela palavra.
Namorei ela.
Amei.
Me deitei e deleitei inteira.
Língua.
Portuguesa.
Fui livre enquanto segurava o pandeiro simbólico.
Da minha vida.
Mas liberdade é ave rara.
Coisa cara.
E precipita indagação.
Indignação.
E solidão.
Ontem li uma poesia que não era minha.
Porque minha poesia é crua e violenta
Porque eu não queria que me vissem viva.
Ontem li uma poesia que não era minha porque gosto de ser mistério.
Acredite você, serei sempre mistério.
Ebulição.
Ontem li uma poesia na noite estrela.
Estalada.
Para gritar com você.
Gritar toda minha carne.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Querer" o Verbo preferido



 
Queria ser Chuva,
e Cisne...

Touro branco já sou, sem nada a raptar.

Sem nada a raptar.

Não se enxerga mais a beleza,
a todos é comum o medo da sedução.
Todos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Júpiter

Eu exijo boca pequena.

Enquanto mergulho.

Ar.


Como não gosto de peixe-frito

Só peixe vivo...


fico só com o rio de Heráclito

que passa!


Eu exijo aquilo de arisco.

que me arrepie

que me insulte

me coloque em luta

me faça fogo

labareda atormentada...

desejo.


Tudo flui, eu sei.

Mas eu exijo que você não se mexa.


Eu exijo escultura.


Escorrega em mim

se for preciso, por favor... eu quero.

Flutua!