quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Perfeições...

Hão árvores tremendas entre nós.
Uma floresta inteira a percorrer, correr, recorrer.
Praticamente não temos sombras.
Sussurros.
Beijos na boca.
Ou na nuca.
Só o Uivo nos une.
Flamejantes e Descuidados.
Trepamos na Lua, com a Lua.
Fazer amor nunca!
Esse segundo Bezerra da Silva, não se fabrica.
Seremos cinzas no próximo século? 
Não?
Porque evitarmos só o Fogo então?
Queimem-se.
Queimem-se os vivos.
Só eles podem gritar de dor e alegria.
Queimem-se.


Ouvindo Ibrahim Ferrer… e calma como uma marola...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Poesia Confessional

Esmagada novamente me desperto.

Tropega.

Desorientada de mim e sozinha fazem séculos,
No susto e com o respiro me levanto.
Procuro as chaves. 
Saio ainda bêbada pela Rua da Feira.
Pensando que não tenho pra quem ligar.
Nem tenho celular.
E depois de tudo.
Depois de tantos e tantas.
Porquê ficar?
"Você pode ir ao inferno minha filha, mas seu Santo tá aqui!"
Não achei as compras de ontem.
Os cachorros já não comem como antes.
Porquê ficar?
"Veja bem, quando ele está, não fica bem você beber na rua. Parece que você está atrás dele. Pra uma mulher não pega bem."
Não há Moto-táxi em frente à Faculdade.
Deve ser cedo pela neblina.
O cheiro da cidade é sem igual.
Porquê ficar?
"Não acredito que ele deixou você!"
Moro longe, tenho fome.
Tive pesadelos com os olhos de Odé. 
Porquê ficar?
"Ele te comeu para destilar uma mágoa"

Acho um carreto que me cobra 30 reais, sendo que sei que custa vintão.
Tenho que levar o pássaro azul...
Não tem jeito.
Porquê ficar?
"O preço da gasolina tá caro dona" (principalmente para as que tem cara de polonesa)
Agora sim, sei que é luta ser negro.
Agora sim sei que nunca fomos um país inteiro.
É cedo, é cedo!
Pessoas com roupa de ginástica a caminhar.
Sol e sorrisos.
Tudo que eu sinceramente acho sinistro.
Porquê ficar?
"Aquela Francine é mesmo barril, tinham três garrafas de champanhe lá..."
E não reverbero mais nada do que meu Axé...
Penso no caos da casa.
Sinto amor por meus cachorros e meu cavalo.
Rita e Raul também.
Chego com a grama molhada.
O céu, o sol, a sifonia mais perfeita a tocar.
Pássaros, pássaros, pássaros.
Sinto falta de Antônio, meu amoroso pai.
Ele lá na desgraça de São Paulo.
Choro por não conseguir imaginar que ele pode nunca mais me enxergar.
Choro por Alegria jogado na poeira e por Zoreia, morrendo na rua.
Não há compaixão em nenhuma esquina.
Somente os Orixás Mensageiros fartos e sorridentes de tanto comer do "querer" de muitos.
Porquê ficar?
Tomo o Rivotril que me deram...
Aquele de antes.
Porquê ficar?
Só existe o fascinante canibalismo da matéria.
O futuro é apenas a possibilidade.
A Existência pertence ao presente.
Porquê ficar?
Tenho de tudo, menos o Medo.
Não sou Muralha, sou um Oceano.
Adaptação.
Ora líquida, ora sólida, ora ar.
Levantar e Ser todos os dias.
Isso me faz ficar.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Da Pele, Da Luz, Do Desejo.


Max Beckmann, Beach Landscape, 1904



Rememoro suas palavras.
Ouço viciada sua voz.
Procuro o Tempo e só hoje vejo que ele caminha a frente.
Muito, para quem é toda Água.
Não devo parar por teus Olhos de Além-Mar.
Descanso desajeitada de mim.
Como toda gente que sente um Calor Impossível no Peito.
Simplesmente Calo.
Melhor assim.
Mulher-Redemoinho.
Salobra.
Imprevisível.
Marinha.
Azul.
SalvarSalvar

Do futuro seco e desgraçado...

O Sol já me governa.
E o Chão tão Vigoroso me aceita.
Respiro Ares, Ares frios.
E em pleno Meio-Dia a Brisa bate a amaciar meu Ódio.
Coisa incorrigível de família.
Amo o que é doce e belo.
E sinto olhos que sou incapaz de esquecer jamais.
Como tequila.
Mas sendo Ave de Rapina.
Sou as que seguem mais, as que querem demais.
Ver o mundo da Lua, do Atacama e do Japão?
Ver o mundo do alto que me fez balão!
Ver o mundo dos grandes olhos dos Pássaros Ancestrais.
Meus irmãos cegos.
Aves de Rapina e Onças Pintadas.

Aves de Rapina.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

*porquê li um poema de Nuno Gonçalves e senti inveja dele

Entre o Sertão e a Mata Verde
Entre o Sertão e a Mata Verde
Entre o Sertão e a Mata Verde

Escorrego.
Líquida.
Á procura do Mar que me faz Tsunami em dezembro depois do Natal.

Escorrego.
Ar.
Á procura da Guerra que me faz Temudjin, o Grande Khan.

Escorrego.
Mel.
Á procura do Ouro que me faz Rainha de Sabá. 

Entre o Sertão e a Mata Verde.
Entre o Sertão e a Mata Verde.
Entre o Sertão e a Mata Verde.

Escorregam coloridas Serpentes
Que abraço e nos meus braços se enrolam a me Enfeitar.

Despontam Tempestades e Trovões.
A Fúria dos Vulcões.
E dos Reis Vermelhos que se permitem me amar.

Entre o Sertão, a Mata Verde e o Aço.
Faço
Do sangue coalhado da minha ferida.
Um novo Cemitério de Ilusões
Paixões
E Poesia.

Sobretudo vida
Sobretudo vivo sobre
Tudo.

Sobretudo.
Água que é infinda.
Água que não se represa.

que não se governa ou manda governar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Imensidão


A Mata, O Rio, O Mar...
Toda Retidão dos que são Reis.
E eu.
Diminuta a desejar cada Respiro.
Suspiro.
Gemido.

Seu.

Em Silêncio.
Secular.
Primo.
E Gososo.

Teus Dedos de Invasão.
Nos meus dias de tora.
Torá.

Enfim.
Fim.

Da Tapioca.
De Mim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Hoje











Tenho toneladas de sal sobre a minha pele.
Não posso ser Água assim machucada.
Não posso ser Nada.
Não Vivifico.
Não Fortaleço.
Sobrevivo de Espasmos Áridos.
E Lutas Alcoólicas.