quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

#777

Doce é o destino.
O azul dos Oceanos.
Meus olhos.
Teus olhos.
Palavra.
Limite.
Desejo profundo.
Tu me atravessas.
Tu e só tu...
Doce é o álcool.
O Tártaro.
E teus cabelos.
E força.
Minhas ilusões.
Minhas mãos.
Tua boca.
E minha água.
Lacrimejante entre as pernas
Por tuas partes.
Em Tejo.
Doce é o sono.
Porquê ele pare o sonho.
Doce é tudo.
Menos paredes.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Pré-Monição #081210



Emil Nolde
II Hay Meadow Wheat Field Light Sea Mood - 1900



Espejo en la mano derecha.

Ojos de Loba desdichada
Hasta siempre luminosa
Tu eres volcán blanco.

Silencio.
Silencio sin cenizas.

"Lava" que te haces canibal.
Canibal en su venganza.

Rojo, noche, hechicera.
Eres el volcán blanco
Canibal...

Que hambrienta me cenará.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Tua pele é de pluma

Tu me ignoras,
me fazes presente os meus grilhões.
Me nega as Veredas que carrega nas mãos.
Aperta forte para detê-las
Não consigo fugir das tuas plumas.
Tão constantes, como as correntes que sustentam o horizonte
Os abismos
O "ismos" todos "desfigurantes".
Roubaram minhas Máscaras.
Exilaram-me na dor.
Solidão.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Incandeia

Me queimei longo.
Me queimei duro.
Me queimei Jongo.
Me queimei tudo.
Me despedi da esperança.
E fingi minha fuça.
E como criança esperei você chegar.
Me queimei longo amooor.
Daquelas dores de desesperar.
É o Samba.
Triste, como nunca houve um dia.
Feliz, como nunca pode enquanto ele eu temia.
Agora.
Quero.
Sem hipocrisia.
Rimar Amor.... Amor com Dor.
Sem Filosofia.
Quero fazer música.
Samba.
Poesia.
Quero rimaaar....
Amor com Dor.
Tá na cara!


E Clytemnestra segura o Oxê de Xangô em sua Justiça
Morra Agamenon, morra!
por John Collier

sábado, 26 de novembro de 2016

Césio 137

Caíram minhas pernas débeis.
E meu porto seguro.
E toda a ilusão se esparramou luminosa e mortal.
Césio 137 escorrendo pelas paredes.
A Casa, antes da Água, antes segura.
Me contaminou.
Não há chão para minha existência.
Apenas fina corda bamba.
Carnificinas, atrás de carnificinas.
E minha existência-areia se confundindo com o mundo.
Apocalipse total.
Morreu Fidel.
E isso também já não importa.
Estamos todos já em Ruínas.
Sob escombros.
Enterrados.
Porém vivos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

#4

Quanto de mim ainda reza pelo céu?
Quanto de mim ainda não se conformou com o chão?
Coruja de asa quebrada.

Arrasada pelos tiros de badogue.
Longe de tudo.
Atacando sem direção.

Pássaro ferido de grito o desespero de ser bicho sozinho.
Mesmo ave que caça.
Ave de Rapina.

Pra bicho de nossa cepa é impossível viver no chão.
Voam assim as predadoras aves.
Durante a noite.
Durante o dia.
Sempre, sempre matando.
Di la ce ran do

Dilacerando carnes e comendo riachos.
Aves de Rapina.
Aves de Visão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Versos secretos #1




Tirei tuas mãos da parede hoje.
Não consegui tirar teu cheiro da cama.
Nem tuas penas, Ave de Rapina.
A me cobrir Vermelha.
Lancinante.
Certo.
e Gozoso.