sábado, 30 de julho de 2016

Sobre o desejo #1

Eu te queria reto.
Centimetro a centímetro com minha virilha.
Olho a Olho.
Boca a Boca.
E todos os outros seguindo nossos passos.
Nossos movimentos.
Eu te tive centímetro.
E com meus cílios de Deus beijei tua face.
E afastei minha boca e te disse mudo:
-Eu te quero mais.
-Eu te quero mais.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

#2




Você já se foi desse mundo
Acendeu ao céu
No funil de suas dores.
Incendiou a noite.
Atravessou o mundo.
Para.
De pé ser comido pelo Sol.
Casa-Origem.


Você já se foi desse mundo
Tão antiga sua boca
Rasgada inevitavelmente de ira.
Gritou o dia.
Sorveu muitos idiotas
Para.
Mordida ser silenciada.
Luxúria.
Vício-Origem.


Você já se foi desse mundo.

E eu insisto em te querer aqui embaixo. 
Me lançando seu ares.
Garras e bico.
Comendo meu fígado.
Aos pouquinhos.
Porquê?

domingo, 26 de junho de 2016

Inquebrantável


Unos Cuantos Piquetitos
Frida Kahlo


Sou mãe de sonhos outra vez
Força e potência.
Força e potência. 
Vulcânica.
E Salobra.
Calor da profunda loca de pedra.
Abrigo de muitas de mim. 
De tantas.
Sóis.
Lençóis.
E até de Adagas que arranco sempre de minhas costas nitidamente Imortal.
Sou mãe de sonhos de vez.
E soberana da primeira primavera da Terra.
Sou Mãe das Algas Marinhas.
De todas as Algas Marinhas.
Tetis inquebrantável.
Olhos de Água.
Mãe de Aquiles.
Fúria.
Pré.
Odisseu.
Sou mãe de todos os sonhos possíveis.
Os Cauris beijão minhas saias.
No palácio primevo.
Sou mulher, água, raiz, matriz, inicio, meio e fim....

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Poesia Inacabada

Volubillis - Marrocos

Sei.
Apenas sei.
Por aquilo que me come, reverbera.
Que minha voz grave, grave que sou...
Ecoa quente, ainda e agora, nos seus poros.
Que minha palavra luxuria, ousada que sou,
ainda te levanta os pelos.
Pelo, suor, saliva, uivo.
Sei.
Apenas sei.
Que mesmo sendo teu infinito cheio de concreto.
Estrada a fora.
O meu cheiro de água e jasmim ainda goteja em tuas narinas.
Sei.
Apenas sei.
Que preencho o volumoso quarto do teu passado.
Com indelicada dor.
Com vermelhos que não são meus.
Com palavras de metal...
Sei.
Apenas sei.
Que ainda que luxuria.
Esconde-te de mim.
Por tudo de vil.
Esquece-te de mim.
Mesmo não me devolvendo o mel.
Mesmo não me devolvendo o brio.
A Paz.
És armadilha da armadilha.
Cruel.
Poesia Inacabada.
Beleza sem ponto final.
Saudade que não aconteceu.
Amor que nunca foi meu.



quinta-feira, 2 de junho de 2016

Cavalos do Tempo


Panteão- Roma

Não há como correr atrás dos cavalos do Tempo.
Não há porquê.
O dever é você sarar.
Cura é coisa definitiva.
Não há que deixar virar vírus.
Vírus-vampiro.
Aquiete o peito.
Respire.
Pense melhor e...
Se você não achar solução alguma,
quebre tudo.
Deixe seus cacos aos cavalos do Tempo.
Eles vão continuar passando.
E aquilo que te ardia-paixão.
Vai virar vento.
Moído no chão.
Assim...
Sujeito-passado não espere meu sorriso.
Ele jaz.
Corte reto, retado, retumbante e definitivo.
Cavalos do Tempo, passam e devoram tudo.
Até mesmo pássaros.
Até mesmo lobos.
Sobrevivemos nós leoas, corujas e vacas de divinas tetas.
Que corremos com os Cavalos do Tempo, na chuva.
É inverno na Terra da Fantasia.
Temos frio.
Mas todos nós os Selvagens.
Não desistimos nunca de correr.
E bebemos litros de palavras e salivas e cachaça.
Temos frio, mesmo Selvagens.
En-Fim.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

La Sangre

O coração que me acorda em chamas...
E salta, assim pela boca.
Você, dizendo que não vem...
As minhas Veias abertas, em forma de Poeira e Sujeira.
Na Alcoba Azul, donde nunca fuímos contentos.
Onde nunca mais seremos...
O Sangue do dedo cortado por latas de comida para Cachorros.
Eu matando meus Filhos...
Mudos e perenes como a maioria de nossos dias juntos.
Sobrando somente o granir, o latido.
Sobrando somente eu e meus olhos de Coruja desdichada.
Nos EX-combros.
Nas Veredas.
Na Boca do Gigantesco Vulcão.
Acordando, caminhando e cantando.
Em chamas.
Na lama.
E com Anjos na cabeça dançando tentando explodir minha vida ordinária...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Soberana

Saibas desde então, desde entones que serei soberana do meu desejo.
Que cansei de cerimônias e abomino rótulos.
Sou o Caos em Combustão-Aquática.
Destruição. Extinção.
Bruxa um pouco sim, pero no mucho...
Podes me imaginar dona de Pirâmides?
Ou me abominas, eu tão sem cuidado e rima e sem qualquer preocupação...
Ando tão Kierkegaard, quando minha natureza é da cepa de Nietzsche.
Caim por opção.
Quero esquecer todos aqueles que não me amaram.
Quero nadar Mar adentro de mim.
Eu tão dourada e fria agora.
Eu tão em pânico por adaptação
Esqueci-me bicho, achei que era tudo certo.
E os prédios de toda Baixada Santista caíram em cima de mim.
Eu corri.
E me escondi no calor dos meus dias.
Bahia.
Sobrevivi e Soberana decidi caçar seus pés de Harpia.
Não é possível que flanes quando teus olhos são tão pesados.
Plumbo.
É possível que a estrada nos falte?
Continuarás flanando gracioso a me torturar e eu tão bandida.
Quero fogo e feno.
Tive instantes de teus cabelos e migalhas da tua boca.
Porque?
Tão desnecessariamente Kierkegaard, podendo ser tão Diderot...
Outra vida Brilho do Sol.
Somos todos recém-nascidos.
Acredite.