sábado, 14 de fevereiro de 2015

Soul Kitchen

Sinto saudades sua e mais água ainda jorra de mim.
Expilo trilhões de chôroros e já voltei a não dormir.
Procuro todos os seus avatares, nunca procurando você.
Padeço. 
É a febre de calar.
Não aprendi ainda a viver sem tuas palavras.
Sou como uma criança. 
É o eterno recomeço. 
Sinto saudades das cores do teu olhar, do teu viço. 
Sinto muito.
Sinto saudades sua. 
E tenho morcegos bebês sobre minha cabeça, você bem sabe.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

És de invitável beleza

Como um pingo de sol, brilha e queima.
Ilumina.
Enlouquecidamente transforma.
E aquece.
Sua presença na sala...
Bom e vivo filho de Apolo,
enlouquece.
Pan,
desgarrado pedaço de céu.
De carne.
Bem sabem Bernini e Canova.
Quanto da tua pele pode envenenar.
Crescer, crescer, e trair.
Bem sabem aqueles que...
Não resistem a desgarrados pedaços de céu.
Filhos de Apolo.
Reis...


sábado, 6 de dezembro de 2014

Odéssi!

Meu pai? Meu homem? Meu marido?
Odéssi, quem és tú capitan?
Quem se veste de folha e desconfiança?
Quem pergunta mil vezes o quê? 
Arô!
Odéssi, Odé, Odé!
Quem é meu álibi, meu melhor amigo, meu filho e irmão.
Odé paixão minha.
Que preenche meus dias de graça.
Arma sua flecha em mim.
Cabeça, corpo, saliva minha.
Esquece tudo. 
E vem com calma até meus braços.
Prometo não te afogar.
Promete Odéssi, não me errar?
Quero beleza e silêncio.
Quero sua natureza Orixá. 
Folha, Verde e Desconfiança.
Silêncio, verde, silêncio.
Verde.
Desejava palavras cheias de cores, completas.
Mas a beleza também aleija quem sempre verde espirrou...
Palavras completas...
Odé, Odé, Odé!


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Do dia que ganhei um presente.

Tudo ouvi, um pouco acredite, muito dancei. 
Nada mais, além de fogo, vermelho e palavras.
Salve o impensável e o mais bonito cavaleiro que divisei.
Salve esse dia claro! Galo canta, amanhã!
Mesmo que seus cabelos me comam ainda mais como comem seus olhos.
Há poesia... sem forma, carcaça ou figura...
Faz-me esquecer a mim mesma.
Tamanha doçura.
Giganta loucura.
Tudo quis, nada duvidei, muito me fudi...
Morram os marcadores.
Acorda-me meu bem.
Grite e urre e acabe.
Salve nossa paciência obliqua.
Não há porrete contra tamanha doçura.
Salve o vermelho, o fogo e as palavras...
E é claro... você também...

domingo, 13 de julho de 2014

Peace Frog

"There's blood in the streets, it's up to my ankles
She came
There's blood on the streets, it's up to my knee
She came
Blood on the streets in the town of Chicago
She came
Blood on the rise, it's following me
She came about the break of day
She came and then she drove away
Sunlight in her hair

She came
Blood in the streets runs a river of sadness
She came
Blood in the streets it's up to my thigh
She came
Yeah the river runs down the legs of the city
She came
The women are crying red rivers of weepin'

She came into town and then she drove away
Sunlight in her hair
Indians scattered on dawn's highway
Bleeding ghosts crowd
The young child's fragile eggshell mind

Blood in the streets in the town of New Haven
Blood stains the roofs and the palm trees of Venice
Blood in my love in the terrible summer
Bloody red sun of Phantastic L.A.
Blood screams the pain as they chop off her fingers
Blood will be born in the birth of a nation
Blood is the rose of mysterious union

There's blood in the streets, it's up to my ankles
Blood in the streets, it's up to my knee
Blood in the streets in the town of Chicago
Blood on the rise, it's following me"

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Berlim em mim Parte Tudo!

 Tiergarten



Ó tudo está calmo agora no vulcão.
Cinzas e recomposição.
Mas desejo.
Quero fazer poesia do teu rosto.
Colher flores da tua boca.
Correr livre por teu corpo.
A rua me chama, mais colorida do que nunca.
Mas é um vinho qualquer que nos espera juntos.
A ver onde Dioniso estaciona hoje?
Come on!
Come on!
Deixar-nos enlouquecer pela metrópole verde.
Berlim.
A mata selvagem cresce agora mesmo por entre nossos dedos.
Sátiros e ménades nos rodeiam...
Agora mesmo.
Ora, come on!
Errantes e invencíveis.
Vamos derreter nossas correntes e vê-las arder em vermelho.
Sem um arranhão.
Sem nenhum arranhão.
Vamos meu amor, eu prometo! 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Berlim em mim, parte II

Gritos na Tucholskystrasse número 30.
Ninguém se importa.
Vaias na Ilha dos Museus.
Apatia na Tor.
Vamos e venhamos...
A luz na janela que adentra é linda e amarela.
Aqui é o paraíso.
Tudo entre todos e o nada.
Tantas estações como fantasmas...
Friedrichstraße.
Nós e nossos assassinos.
Sim!
Matem por nós.
Cavaleiros vermelhos de vergonha:
- Kill us! Kill me! Again and again.
Esqueçam as vinhetas e as canções de enamorados...
Somos selvagens.
E famintos.
Somos o exagero devorador.
Cuidado!
Não somos os esquecidos.
Nem nunca essa terra será.
Adeus.