A vida da Pitonisa é transportar. Queimem os incensos que começo a murmurar, lentamente... E de repente é o destino que fala. Sim, Velha Senhora, já me preparo em cenas abstratas. Profetizo já baixinho, de pouquinho... Pretendo meu destino cumprir, entre nossos símbolos. Assim reconhecerás o caminho. E Ele? Ele também saberá.
Há na minha voz algo de não calar nunca. Algo muito sério. Muito exigente. Muito diferente. Algo que me tira o humor, fazendo azeda a comida e que me indispõe com vizinhos. Grito como Joana, a Louca. Sou louca. Estou... Em tétrico caixão a sete pés. Apodrecendo viva, eu não queria falar... Que fui eu mesma que deitei e deitei a chave fora. Destino marcado, nenhuma escapatória.
O que quero eu? Depois de encenar tantas vezes... Algo muito sério? Muito exigente? Muito diferente? Acho que só posso ser Joana. Carregando comigo um corpo pelo reino tanto tempo. Não é amor, é esquizofrênia tardia.
Queria deixar nua tua imagem, mas é impossível de preservar... Mesmo que única. Mesmo que perfeita. O líquen há de se instalar... Primeiro em tua dobras, depois em tua mais fina tez. Estátua que és. Fica cinza e verde e sozinha no jardim francês Des Tuileries. Des Luxembourg. Como eu fiquei. A porra da vida garrida e fedida que me trouxeram. És grama em contenção. Quero morrer para viver se for preciso. Gritar até! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!