sexta-feira, 2 de setembro de 2016

#4

Teus olhos tão vagos quanto o mar.
Apareceram no meio do meu caos do dia.
Uma solidão.
Tão castanhos quanto posso suportar.
Cabelos sempre desgrenhados.
Grudados na pele do teu pescoço.
Que me gusta tanto
E uma camisa verde, desavergonhada com cara de ayer.

Eu quero suas pupilas
E não adianta dizer não.
Quero suas mãos prudentes de quem morreu de amor um dia.
Descontraladas
Em mim.

Porquê tanto cuidado?
Tanto Chorare?
Tanta Não-Vida? 

A minha poesia é ruim
Esse é o porquê?

Equeça minhas palavras 
Escolha minhas mãos.
Não?

Repita mesmo quem é você?
Brade e grite de ira.
Com sua voz tão, mas tão Ave de Rapina.
Que eu, Coruja.
Sei no fundo que você sempre não

sábado, 27 de agosto de 2016

#3


Garden in Bloom - 1933
 Max Beckmann

Aves de Rapina que somos
Porque não voamos logo e longo?
Atravessando os 7 céus
Até estrelas siderais

Porque não nos desgarramos logo?
Desse chão quebrado de seca
Desse chão duro que não nos deixa enterrar os mortos

Voemos sobre as queimadas
Voemos sobre as cinzas
Voemos sobre os pobres oceanos moribundos
Voemos sobre a indelével miséria humana
Voemos sobre os cacos...

Flamejemos até a asfixia,
da Loucura
da Liberdade
da Paixão.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

#666

Meu amor por ti levantou-se com os Oceanos.
E nunca mais dormiu.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016


Szerelem,
Szerelem.


Márta Sebestyén

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Coração Cego



Todos os dias ele palpita forte e trêmulo.
Manhã.
Inverno.
E me saber viva mais uma vez dói.
E dói no corpo inteiro.
Queria algo de veludo.
Algum escudo.
Uma coisa macia para mim.
Tantas pedras se acumularam em minhas mãos.
Tanta correntes em minhas pernas e braços.
Vago no desespero do escuro.
Na Mata Escura.
Vago somente com os relâmpagos dos fantasmas.
Tateio assim pesada os espinhos que me rodeiam.
Caminho e continuo pelo bicho que há em mim.
Cega, completamente cega.
Ele palpita forte a matar minha carne de predadora
É uma Rainha uma Leoa Cega?
Coração que grita a anunciar que a vontade já morreu.
Coração que cala e resigna.
Pedras e seca foram as heranças que sobraram.
Escombros.


sábado, 30 de julho de 2016

Sobre o desejo #1

Eu te queria reto.
Centimetro a centímetro com minha virilha.
Olho a Olho.
Boca a Boca.
E todos os outros seguindo nossos passos.
Nossos movimentos.
Eu te tive centímetro.
E com meus cílios de Deus beijei tua face.
E afastei minha boca e te disse mudo:
-Eu te quero mais.
-Eu te quero mais.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

#2




Você já se foi desse mundo
Acendeu ao céu
No funil de suas dores.
Incendiou a noite.
Atravessou o mundo.
Para.
De pé ser comido pelo Sol.
Casa-Origem.


Você já se foi desse mundo
Tão antiga sua boca
Rasgada inevitavelmente de ira.
Gritou o dia.
Sorveu muitos idiotas
Para.
Mordida ser silenciada.
Luxúria.
Vício-Origem.


Você já se foi desse mundo.

E eu insisto em te querer aqui embaixo. 
Me lançando seu ares.
Garras e bico.
Comendo meu fígado.
Aos pouquinhos.
Porquê?