sábado, 5 de setembro de 2015

Tu me fazes um mal necessário


Homem e Mulher
Pablo Picasso, 1929

A nota oficial do meu dia declara que você faz mal...
fazer o quê?
Tem um jegue reclamando aqui fora
e isso é real...
Você faz mal mesmo em que sentido?
O jegue é real!
Deixa-me mais louca?
Mais indecisa?
Mais violenta?
Ele grita sem sentido.
Ou seja... tudo que sou, caso nem queiras...
É o teu corpo que consome...
Tenho ganas infindas...
Porque reclamar?
Nada me deixa mais viva.
E acordada com os pássaros...
Do que a certeza de que você me odeia.
Raivosa e lânguidamente.
Raivosa e deliciosamente.
Venha oportunista.
Farte-se.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

The day of...

Today
in the day of the middle
in the middle of the avenue
in the people of the middle
in the middle of this nothing
in the fever 
those fever
fever of my chest
tropical disease
thats you!
you into the middle of my dearest memories
you
your sad eyes
your skin
you
and the blue velvet of your blue reptile blue
your skin
you
this sweet red taste of your red sweet lips blue
blue
you
beautiful and brutal
you
terrible blue you
your moral construction
reasons
coldness
and
I
lonely
sad
I
and my ghosts
all this Feira de Santana stuff
tropical
brutal
blue
you
at least, so David Lynch


by me and my friend Caparroz.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Barulho e erro de conexão.

Te lembro.
Lembro de você.
Mesmo após o erro.
Erro de conexão.
Que me faz parecer ridícula.
Cheia de precisão.
De teus dedos.
No teclado.
Da tua voz,  do teu rosto, enfim...
Queria falar com você.
Mas você não fala mais comigo.
Erro de conexão.
Teus olhos de lobo a me perseguir.
Disfarçados de morcego.
Sempre a me ferir.
Queria falar com você.
Mas você foge.
Eu pouco compreendo.
A cachorra late.
Desesperadamente.
É tanto barulho, impossível dormir.
O celular acordou.
Despertador.
A cachorra late.
Eu finjo fazer poesia.
Choro um choro descarado.
Imploro.
Rezo.
Aos deuses, uma palavra.
Um sinal.
É São João?!
Preciso retirar a minha dor.
Porque a alegria quer passar.
Erro de conexão.
Barulho.
Bombas.
Música assustadora.
Confusão.
Anseio.
Desesperadamente.
Você.

sábado, 16 de maio de 2015

Coração Selvagem

Acordo bem.
Até sorrio.
O café pula pelo fogão, pia e chão.
Não sobra nada para mim.
Vou pro banho que dói de tão geladão.
Tento sair.
Chove mais uma vez.
Chove na minha roupa e na minha cozinha também.
A visita levou o guarda-chuva que já não era meu.
É meu destino.
Espero uma chamada pelo Skype.
É meu destino.
O "sábado" aperta meu juízo.
O Buchanan's rejeitado ontem, chora na estante... chama!
Aprendo quem é Louis Calaferte com minha amiga Marie.
Não acho nada dele em português.
Lamento por todas as línguas que nunca terminei de aprender.
Minha cabeça voa.
A chuva já é muita.
São os redemoinhos do meu corpo a tentar domar a água que me consome.
Aquele desespero claustrofóbico que me assombra pega agudo!
Segundo gelados me fazem pensar:
O que vou fazer com meu coração selvagem?
Onde vou pousá-lo durante a chuva?
Precipito-me.
O desespero me empurra.
Vou lá fora chover também!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Das máscaras e das ágoras... e do inglês medíocre!

I'm so confused...
It's so hard!
It's so ugly!

Tantas máscaras...
Mas pior!
Tanto julgamento.

É tão fácil parecer bom.
É tão fácil parecer certo.
Meia dúzia de conceitos.
Difícil é transgredir.

Mudar!
Se Adaptar!
Reagir!
"Retroceder nunca, render-se jamais!"

Criar é coisa dolorida.

Não há retorno à natureza, nunca haverá.
Somos domesticamente urbanos.

Choro profundamente, ouvindo Jhonny Cash.
Um carro acaba de se arrebentar na "lombada".
Coisa feia...

How can I say?
I'm so tired.
Everything is so cold.
So old.
And that poison... in my vein.
That poison from your skin!
I'm afraid.
I'm in love.
I'm focked!

For ever.
And ever.
Hahaha!




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estonteante fome, áspera e cruel

"Frémito do meu corpo a procurar-te, 
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas..."


Frémito do meu corpo, Florbela Espanca.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mar grande

Mar grande à vista.
Olas y más olas.
É o mar que me confunde.
O som.
A batida e explosão.
Eu que sempre fui tão líquida.
Tão salgada quanto doce.
Até em chuva...
Ácida de Cubatão.
Eu que fui tão barco, tão porto, tanta solidão.
Hoje sou mata-selvagem.
Aprisionada em tons de verde.
Entre troncos, madeira e aranhas.
Pássaro capturado.
Tão perto do mar novamente.
Tão longe da razão.
Dioniso exigindo sua bacante.
Apolo renegando sua pitonisa.
O destino que nunca é o que queremos.
É a noite que me possui todos os dias.
24 horas.
Mata-selvagem.
Escura, indecifrável e quente.
Semi-selva.
Ainda sou a água que te constitui...
Vou escapar.
Sempre vou escapar.
Pássaro rebelde.
Tão disposto ao céu.
À vida.
Mar grande à vista.
Céu...